quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O TEMPO NÃO PÁRA - PARTE 2



A nossa noção de tempo vai mudando na medida em que o tempo passa para nós.

Paradoxalmente é quando se tem todo o tempo do mundo para tudo, que não se tem tempo para nada: na juventude.

Jovens não têm tempo para nada. Querem tudo. Tudo hoje. Tudo já. E, assim, não há tempo para nada...

Quanto mais os tempos se tornam velozes em razão das tecnologias de transporte e comunicação, mais a noção de tempo muda: um segundo agora existe; um minuto já gera impaciência; uma hora é um dia; um dia é como uma semana; uma semana é como um mês ou mais; os meses são eternidades; os anos são medidas impensáveis — especialmente para os jovens, os homens de negócio e os apaixonados.

Ora, se é no jovem que a juventude é desperdiçada, como diz o ditado inglês; do mesmo modo, é também para o jovem que tem todo o tempo do mundo que tempo nenhum existe como espera ou paciência.

Assim, para o jovem, não existe algo como cura pelo tempo!

E não apenas para os jovens é assim, mas para todo aquele que se deixe dirigir pela pressa impaciente.

No entanto, somente bem depois na vida é que se aprende que o tempo é um meio de Graça, e que, para os de coração bom, ele é sempre meio de cura.

Cura pelo Tempo, todavia, é uma proposta que não combina com esta geração! Não combina com jovens, com adultos e até com velhos! Ora, há muitos meios de curas divinas neste mundo.

O perdão, no entanto, é o maior deles; pois, pelo perdão se faz o tempo desnecessário como poder de cura, posto que o perdoador sempre apague tudo do coração bem antes do tempo ter de realizar esse papel.

Todavia, mesmo perdoando, há coisas que somente o tempo apaga como lembrança importante de dor.

Sim! Pois, mesmo os que perdoam, muitas vezes ainda sentem dor. Não a dor da vingança, mas da tristeza pelo fato; especialmente quando as implicações do fato não são resolvidas com o perdão; posto que o perdão perdoe o culpado, mas nem sempre traga o poder de desfazer o feito...

Os antigos tinham muito mais tempo para o tempo e criam que com o tempo muita coisa passava. Mesmo as coisas perdoadas ainda tinham o seu tempo de cura... Na realidade tinha-se tempo para tudo antes do demônio se tornar o dono da batuta do tempo cronológico da maioria das almas humanas aflitas e ansiosas.

Hoje tudo tem que ser instantâneo, até a cura. No entanto, cura para a alma e o espírito, por mais que haja milagres de natureza instantânea, em geral são curas graduais, lentas e reflexivas. Ou seja: são curas no tempo; tempo e muita graça.

Entretanto, ao ver hoje a reação das pessoas até mesmo ao que lhes seja cura, também vejo Jesus lhes perguntando: “Você tem tempo para ser curado?”

Tem muita gente que não nem mesmo tempo para ser curada! Não porque lhes falte os meios para a cura, mas apenas porque elas não têm a paciência para a cura.

Cura demanda paciência. Acho que por isto, o candidato à cura é chamado de “o paciente”.

Ora, tempo e paciência não podem se separar quando se trata de cura! Hoje olho para o tempo como um elemento vivo, como um sacramento, como um meio de Graça!

O tempo é tão milagroso que Jesus a ele recorre de modo mais que explicito:

“O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois!”

“Ainda tenho muitas coisas a vos ensinar, mas vós não o podeis suportar agora!”

Ora, quem não aceita que Jesus usa o tempo para curar e ensinar está perdendo a lição mais importante desta vida; pois, de tal pedagogia ninguém escapa.


Agora é a hora da diversão: vamos assistir televisão - Uêbaaa!
Este filme publicitário abaixo, muito bem feito e bem humorado, nos dá um recado do Século XXI: Não temos tempo à perder!
Mas eu adoraria ir pra casa todos os dias do jeito que o personagem fez. vejam que barato!



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Colaborou: Reverendo Caio

sábado, 17 de janeiro de 2009


Ocorreu-me a quatro anos quando andava pela praia pensando em tudo e em nada: “Sou eu um peão no tabuleiro de xadrez de alguém ou o outro é que é uma peça colocada em meu jogo?”

Muitos pensadores referem-se à vida como sendo um local de encontros e desencontros. Pessoas que entram em sua vida para serem protagonistas, depois saem dela - ou não. Nossa vida - é ensinado por muitos - como sendo um curso no qual pessoas te servirão e você servirá a pessoas. Cremos que assim Deus vai tecendo um lindo tapete que é a nossa vida.

Mas assim questionei: Mudei-me para Brasília para que a minha história fosse construída ou para construir a história de alguém que necessitava de alguma habilidade (ou desabilidade) minha? A Cida é hoje a nossa ajudante lá em casa porque precisamos dela ou é nossa família que é importante na construção da história da Cida? Fui contratado neste emprego para que eu recebesse uma bênção de Deus ou para que meu patrão recebesse uma bênção de Deus? Qual é o fio da meada?

Se a vida for comparada a um tabuleiro de xadrez, podemos comparar as pessoas, circunstâncias e escolhas como bispos, cavalos, torres, reis, rainhas e peões que vamos movendo, conforme nossa estratégia diz que será a melhor jogada, buscando segurança emocional e física, conforto espiritual, sentimentos de realização, felicidade e coisas que consideramos necessárias a nós. Movemos as peças no tabuleiro segundo nossos desejos, punções, fobias, crises, paranóias, necessidades e conhecimento. Tomamos decisões. Por vezes estamos ganhando o jogo, por vezes perdendo. Por um golpe, lágrimas convertem-se em riso e... Xeque-mate!

Concluí que todos somos peças no tabuleiro alheio, sendo que o nível econômico define quem pertence ao tabuleiro de quem. Infelizmente é assim. Não existe igualdade. De maneira quase mesquinha e com vistas aos nossos próprios interesses, muita e muitas vezes movemos as pessoas que estão abaixo de nós como peças em nosso tabuleiro, visando a nossa vitória no jogo da vida. Quando o ser-humano exerce superioridade intelectual, financeira, social ou emocional sobre outro, o considera peça no tabuleiro de sua vida. Mas não devemos nos enganar: Nós também somos peças nas mãos de outros. Todos somos peças! Será que sou um bispo ou um cavalo? E de quem? E para quais fins? Só não está sendo manipulada a peça que já morreu e saiu do jogo.

Jesus compreendia isto muito bem. Ele chamava este tabuleiro de vida e as regras deste jogo de “mundo”. Ele compreendeu que revolução política alguma seria capaz de mudar este cenário, mas ensinou que apenas o verdadeiro amor pensa primeiro no próximo e não em sí mesmo e em seus próprios interesses.

Quando amamos as pessoas de verdade, não as usamos como peças do nosso xadrez, mas as respeitamos e buscamos o melhor para elas.

Amar o amor de Jesus significa jogar não para ganhar, mas viver para empatar o empate da Graça. Mover as peças não para o buraco, mas entender que as pessoas que passam em nossas vidas devem em primeiro lugar serem servidas. Se eu primeiro me sirvo das pessoas-peças, estou sendo um jogador mundano e não tenho conversão.

Conversão é não querer ganhar, mas deixar que Deus mexa as peças.

Pois, no fim das contas, esta partida tem um juiz – que não gosta de jogo roubado.



Agora, pausa para a arte!


Neste filme de animação abaixo, feito com a técnica claymation (stop-motion de massinha de modelar) mostra que em nosso cotidiano a luta pela sobrevivência pode converter-se numa luta avassaladora sem fim. Sempre gostei de claymation, desde a minha infância e lembro-me de inúmeros desenhos que assistia. Atualmente meu filho Pedro é fã de "A Fuga das Galinhas", um belo longa-metragem de animação todo rodado com esta técnica.
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