quinta-feira, 19 de março de 2009

VOLUNTÁRIO OU DISCÍPULO?



Trabalho voluntário é toda atividade desempenhada no gozo da autonomia daquele que trabalha, sem recebimento de qualquer remuneração. O trabalho voluntário tem se tornado um importante fator de crescimento das Organizações Não Governamentais e graças a esse tipo de trabalho que muitas ações da sociedade organizada têm suprido o fraco investimento (ou a falta de investimento) governamental em educação, saúde, lazer, despoluição, etc.

Trabalho voluntário é uma coisa muito legal, apesar de poucos ainda se voluntariarem.

Domingo passado teve batismo na igreja. Foi um bebezinho realmente lindo. O Davi.
Uau! A casa estava cheia pois todos os amigos e familiares do Davi estavam lá para segurá-lo no colo, tirar fotos e alegrarem-se com esta data marcante. Tivessem ido todos os membros da nossa igreja e não teria cabido todos. Na semana que antecedeu ao batismo eu faleu com o administrador da igreja - que faz este trabalho de forma voluntária - que eu gostaria que as instalações fossem especialmente limpas em função daquele batismo que atrairia muitas visitas.

No sábado que antecedeu ao batismo eu estava viajando e chegou aos meus ouvidos que o Jeferson e sua esposa Kelly passaram toda a manhã de sábado organizando a igreja, limpando tudo, coordenando o trabalho de uma diarista que lá estava e juntos deixaram tudo perfeito. Além de adminsitrador voluntário de nossa igreja, o Jeferson é também pai de duas crianças, marido, empresário (possui dois negócios distintos) e seus pais idosos necessitam de cuidados e atenção especiais. O seu gesto me chamou a atenção...

Naquela manhã de sábado, o Jeferson poderia tem lavado seu carro ou tê-lo levado para o conserto. Poderia ter aparado o seu gramado ou feito uma visita aos pais. Poderia ter dormido até mais tarde ou ido ao parque com seus filhos ou ido para a "pelada" dos sábados ou posto sua leitura em dia ou... ou...

Refleti nisto e cheguei a uma conclusão: O Jeferson não é um voluntário. Ele é um Discípulo.

Diferentemente do voluntário, o discípulo é aquele que não apenas auxilia em determinada causa, mas aquele que traz para sí a responsabilidade da causa. Sim, é o nível de responsabilidade que define se uma pessoa é um voluntário ou um discípulo.

Se corrermos até os Evangelhos, veremos que Jesus não escolheu desocupados para serem seus discípulos. Aliás, em toda a Bíblia, todos os grandes personagens eram homens e mulheres ocupados e cheios de afazeres. Deus não gosta de desocupados e preguiçosos. Todos os que foram chamados por Jesus estavam em seus ofícios no exato momento do chamamento, não obstante, não hesitaram em se responsabilizarem por outra causa e estes caras causaram uma revolução na história da humanidade ao darem continuidade no projto do mestre.

O discípulo é aquele que possui alto grau de responsabilidade e comprometimento com uma causa. O discípulo compromete-se com os resultados. Um discípulo não faz tudo, não é perfeito, não é totalmente preparado, até porque é um aluno, um aprendiz, mas dentro de suas limitações e capacidades, não abandona o barco, não responsabiliza outros, não procura culpados e não empurra com a barriga. O discípulo é um adepto voluntário de um caminho muitas vezes involuntário.

O voluntário não entende que a missão na qual envolveu-se seja dele, mas sim que ele está auxiliando na missão do outro; apenas apoiando para que a missão alheia seja bem-sucedida.

Jesus não procurou voluntários, mas discípulos. Não esteve em busca de mão-de-barata ou de pessoas que "descem uma força" para ele, mas buscou e encontrou pessoas que se comprometessem com os resultados que ele proprunha. Pessoas que tomassem para si o desafio do discipulado.

Lembro-me do milagre da multiplicação dos pães. A única pessoa que se comprometeu foi um menino, que inocentemente entregou o Mc Lanche Feliz para o mestre, seus cinco pães e seus dois peixinhos, numa demonstração de comprometimento, desprendimento e discipulado. Naquele episódio, alguns se voluntariaram para buscar comida nalguma aldeia próxima, mas o menino sacrificou-se pelos demais. Ele foi um verdadeiro discípulo.

E você? Se espremer, o que é que sai?

Considera-se um voluntário ou um discípulo? Alguém que dá a sua contribuição para Deus apenas para tirar um peso da consciência e ganhar alguns pontinhos numa tabela imaginária e medieval, ou uma pessoa que está profundamente comprometida com o Mestre? Alguém comprometido com os resultados, o qual seja o Evangelho ser pregado e vivido para que pessoas tenham suas vidas transformadas, não momentaneamente, mas eternamente?!

As instituições humanas buscam voluntários.

Religiões buscam voluntários.

Jesus busca discípulos.

Onde você quer estar?

P.S.: Lá em nossa comunidade nascente, temos vários outros discípulos e discípulas que não foram registrados neste texto. Mas como verdadeiros discípulos, não buscam o aplauso dos homens, mas apenas servir ao Mestre, por isso, não ficarão aborrecidos por não terem sido aqui citados. Já os "voluntários", são normalmente mais melindrosos e ansiosos por reconhecimento público. Onde você quer estar? Se espremer, o que é que sai?

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O filme desta semana é muito legal (e com um atrilha sonora gostosa demais).

Signs (Sinais) é um singelo curta-metragem dirigido pelo australiano Patrick Hughes, conta a história de um rapaz solitário que vivia entediado e na rotina com sua vida e trabalho, até que um certo dia, na janela do seu trabalho, avistou em outro prédio uma linda garota e…
O filme concorreu no Schweppes Short Film Festival

Traduções para as placas que aparecerão, caso necessário:

  1. Take a photo = Tire uma foto
  2. I’m kidding = Eu estou brincando
  3. Nice 2 (to) meet u (you) = Prazer em lhe conhecer
  4. Nice to meet u 2 = Prazer em lhe conhecer também
  5. I have a secret = Eu tenho um segredo
  6. I was watching u first = Eu estava observando você primeiro
  7. Do u want to meet? = Você quer se encontrar (comigo)?
  8. I got promoted = Eu fui promovida
  9. We should celebrate = Nós deveríamos comemorar
  10. Absolutely = Concordo plenamente
  11. Do u want to meet ? = Voce quer se encontrar (comigo)?
  12. Thought you’d never ask = Pensei que você nunca iria perguntar
  13. Hi = Oi

segunda-feira, 9 de março de 2009

RELIGIÃO E HIPOCRISIA: ATRIBUTOS HUMANOS.




Domingo passado - 'dia do descanso' - descansei a tarde toda na casa de vizinhos saboreando um delicioso churrasco, entretanto, não tão delicioso quanto a oportunidade de estar na companhia de todos eles. É uma “bênção” poder ver a vida. Ouvir as opiniões. Sentir a alma do ser-humano. Observar o quão animais somos e o quanto de divino todos temos.

Uma coisa chamou muito a minha atenção. Numa animada conversa com um dos amigos ele me dizia que eu não parecia cristão, uma vez que o meu “jeito” de ser e de viver não compactuava com o que ele entendia sobre os “crentes”. O mais curioso é que esta conclusão dele foi embasada no texto anterior deste blog, o qual fala sobre as perdas e os danos que a existência promove. Minha esposa deu uma resposta óbvia, mas que me fugia dos lábios; disse ela: “Somos cristãos, mas não somos religiosos”. Brilhante, pensei.

Deus não pertence às religiões. Deus não pertence a nada nem a ninguém. No máximo as coisas e as pessoas é que a Deus pertencem. Não há qualquer religião ou teologia que tenha compreendido o incompreensível, ou seja, aquilo que chamamos de Deus. A revelação não está completa. As religiões são construções humanas e, por isso, limitadíssimas. Deus não cabe nelas, apesar delas se auto-intitularem representantes Dele.

Que confusão!

Posto que as religiões sejam instituições construídas por homens, são cheias de erros e injustiças. Religiões promovem intolerâncias, guerras, preconceitos e todas estas coisas que não são pertencentes a Deus, mas pertencentes aos homens.

Quando alguém diz que religião não é uma coisa boa, basicamente está assumindo que a humanidade não é uma coisa boa, já que as mazelas da humanidade estão presentes em todas as instituições humanas, inclusive nas religiões, posto serem estas construções humanas.

Entretanto, uma vez que as religiões arvoram-se por representantes de Deus na terra (apesar de não terem recebido nenhuma procuração formal que as assegure este direito) alguns inclusive, desejosos de protestar contra as mazelas promovidas pelo homem por meio da religião, acabam posicionando-se como ateus, ou seja, confundem Deus com religião (coisas distintas).

Para protestar contra as religiões, não preciso ser ateu. Jesus – que não fundou o cristianismo – discursou duramente contra a religião e foi morto não pelos romanos, mas pelos religiosos, homens do "templo". Muitos, por não tolerarem as guerras que o cristianismo promoveu, posicionam-se como ateus, pensando que Deus é religião... Que confusão!

Na época de Jesus as pessoas mais religiosas recebiam o título de fariseus. Era um rótulo que dava orgulho a muitos judeus. Seriam os muçulmanos xiitas de hoje. Seriam os católicos carolas. Seriam também os “crentes” radicais, partidários da teologia do “nada pode”, com um discurso tão paradoxal que dá até a impressão que foi o diabo quem criou o mundo e não Deus.

A estes fariseus, super-religiosos, que davam o dízimo de tudo, que faziam várias orações diariamente, que dirigiam o louvor na igreja, que perdiam qualquer reunião social para participarem de uma reunião na igreja e que, sobretudo, julgavam e mediam todas as pessoas, a estes Jesus chamou de HIPÓCRITAS.

Sim, religião e hipocrisia caminham juntas já há muitas eras.

A palavra hipócrita vem do grego e pertence ao vocabulário das artes cênicas. Significa artista, ator, mascarado, duas caras, fingimento, aquele que está atuando, aquele que parece, mas, no fundo no fundo, não é. Assim é o super-religioso. Ele apenas parece. E por parecer e não ser, não faz o que deveria fazer, mas deixa de fazer o que esperado seria. Preocupado com a aparência, não com o conteúdo. Um discurso dissonante da prática. Uma pantomima sacra. Um sepulcro bem caiado.

Jesus disse: “Fujam dos religiosos fariseus, pois são mascarados, hipócritas!”

Hoje ele continuaria com o mesmo discurso: Fujam dos que dizem serem meus representantes, mas que as suas práticas não condizem com o meu discurso. Fujam dos religiosos hipócritas. Fujam dos super-homens. Fujam dos super-crentes. Acautelem-se dos hipócritas. Cuidado com os que impõem sobre outros, cargas que eles mesmos não conseguem carregar. Igualmente fujam dos que criticam os religiosos, mas sem possuírem uma ética consistente. Hipócritas!

A Bíblia e Jesus nos ensinam que o homem é pecador. Portanto, eu sou uma pessoa cheia de erros. Você não está fora desta. O Papa não está fora desta. Chico Xavier não está fora desta. Ora, se eu não sou perfeito, quem sou eu para julgar?

Qualquer que julga está sendo hipócrita, posto ninguém ser perfeito.

Disse Jesus: “Não julguem para não serem julgados, pois com a mesma medida com que você julgar, você será julgado”.

Tenho visto tantos religiosos julgando pessoas...

Tenho visto tantos não-religiosos julgando pessoas...

Tenho visto tantos supostos ateus julgando religiosos...

Todos iguais, todos humanos, todos carentes de aprenderem com Cristo a terem um coração humilde, perdoador, não arrogante, não ganancioso, não orgulhoso, não religioso.

Minha luta é não ser um religioso, apesar de ser um pastor. Paradoxal?

Meu esforço é ser um seguidor de Jesus de Nazaré, assumindo publicamente minhas mazelas, sem ser um religioso hipócrita, que finge ser perfeito e a todos julga.

Meu objetivo é conseguir comprometer-me com o discipulado de Cristo, mas não com o discipulado da instituição igreja.

Não sei se conseguirei este meu intento. Quer tentar junto comigo?

Meu amigo apresentado a você no início deste texto também me disse em meio a gargalhadas que se eu continuar neste propósito serei excomungado da igreja. Eu ri demais! Como me divirto! Não sei se comigo ou se com ele. De fato, religiões não costumam ver com bons olhos pessoas não-religiosas.

Meu desejo é que eu e você sejamos pessoas comprometidas com os doces e sábios ensinamentos de Cristo, que promovem a paz de espírito nesta vida e a eterna para depois desta. Com relação à religião... Que não confiemos em nenhuma delas, pois “maldito o homem que confia no homem”.
E como diz um desbotado clichê apregoado por muitos pregadores: "A igreja não salva, quem salva é Cristo".

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Hora da despressurização mental!


Poucos não se importam de perder uma discussão. O adágio popular nos ensina que em matérias mais passionais, como religião, política ou futebol, não deve haver discussão. Com estes dois filmes publicitários, não quero promover a venda de cerveja para você, claro, mas mostrar que até na publicidade todos preferem ter a "última palavra".

O primeiro filme, da Heineken, foi aclamado e premiado por sua originalidade e produção impecável. Com muito bom humor o filme satiriza comportamentos do universo feminino e masculino.

O segundo filme, da Bavaria alemã, foi uma resposta. A agência de publicidade mostra como seria o "capítulo seguinte" da estória anterior, na visão da Bavaria, claro. Também bem-humorado e muito irônico, deixou o concorrente rindo para não chorar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O TEMPO NÃO PÁRA - PARTE 2



A nossa noção de tempo vai mudando na medida em que o tempo passa para nós.

Paradoxalmente é quando se tem todo o tempo do mundo para tudo, que não se tem tempo para nada: na juventude.

Jovens não têm tempo para nada. Querem tudo. Tudo hoje. Tudo já. E, assim, não há tempo para nada...

Quanto mais os tempos se tornam velozes em razão das tecnologias de transporte e comunicação, mais a noção de tempo muda: um segundo agora existe; um minuto já gera impaciência; uma hora é um dia; um dia é como uma semana; uma semana é como um mês ou mais; os meses são eternidades; os anos são medidas impensáveis — especialmente para os jovens, os homens de negócio e os apaixonados.

Ora, se é no jovem que a juventude é desperdiçada, como diz o ditado inglês; do mesmo modo, é também para o jovem que tem todo o tempo do mundo que tempo nenhum existe como espera ou paciência.

Assim, para o jovem, não existe algo como cura pelo tempo!

E não apenas para os jovens é assim, mas para todo aquele que se deixe dirigir pela pressa impaciente.

No entanto, somente bem depois na vida é que se aprende que o tempo é um meio de Graça, e que, para os de coração bom, ele é sempre meio de cura.

Cura pelo Tempo, todavia, é uma proposta que não combina com esta geração! Não combina com jovens, com adultos e até com velhos! Ora, há muitos meios de curas divinas neste mundo.

O perdão, no entanto, é o maior deles; pois, pelo perdão se faz o tempo desnecessário como poder de cura, posto que o perdoador sempre apague tudo do coração bem antes do tempo ter de realizar esse papel.

Todavia, mesmo perdoando, há coisas que somente o tempo apaga como lembrança importante de dor.

Sim! Pois, mesmo os que perdoam, muitas vezes ainda sentem dor. Não a dor da vingança, mas da tristeza pelo fato; especialmente quando as implicações do fato não são resolvidas com o perdão; posto que o perdão perdoe o culpado, mas nem sempre traga o poder de desfazer o feito...

Os antigos tinham muito mais tempo para o tempo e criam que com o tempo muita coisa passava. Mesmo as coisas perdoadas ainda tinham o seu tempo de cura... Na realidade tinha-se tempo para tudo antes do demônio se tornar o dono da batuta do tempo cronológico da maioria das almas humanas aflitas e ansiosas.

Hoje tudo tem que ser instantâneo, até a cura. No entanto, cura para a alma e o espírito, por mais que haja milagres de natureza instantânea, em geral são curas graduais, lentas e reflexivas. Ou seja: são curas no tempo; tempo e muita graça.

Entretanto, ao ver hoje a reação das pessoas até mesmo ao que lhes seja cura, também vejo Jesus lhes perguntando: “Você tem tempo para ser curado?”

Tem muita gente que não nem mesmo tempo para ser curada! Não porque lhes falte os meios para a cura, mas apenas porque elas não têm a paciência para a cura.

Cura demanda paciência. Acho que por isto, o candidato à cura é chamado de “o paciente”.

Ora, tempo e paciência não podem se separar quando se trata de cura! Hoje olho para o tempo como um elemento vivo, como um sacramento, como um meio de Graça!

O tempo é tão milagroso que Jesus a ele recorre de modo mais que explicito:

“O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois!”

“Ainda tenho muitas coisas a vos ensinar, mas vós não o podeis suportar agora!”

Ora, quem não aceita que Jesus usa o tempo para curar e ensinar está perdendo a lição mais importante desta vida; pois, de tal pedagogia ninguém escapa.


Agora é a hora da diversão: vamos assistir televisão - Uêbaaa!
Este filme publicitário abaixo, muito bem feito e bem humorado, nos dá um recado do Século XXI: Não temos tempo à perder!
Mas eu adoraria ir pra casa todos os dias do jeito que o personagem fez. vejam que barato!



Colaborou: Reverendo Caio

sábado, 17 de janeiro de 2009


Ocorreu-me a quatro anos quando andava pela praia pensando em tudo e em nada: “Sou eu um peão no tabuleiro de xadrez de alguém ou o outro é que é uma peça colocada em meu jogo?”

Muitos pensadores referem-se à vida como sendo um local de encontros e desencontros. Pessoas que entram em sua vida para serem protagonistas, depois saem dela - ou não. Nossa vida - é ensinado por muitos - como sendo um curso no qual pessoas te servirão e você servirá a pessoas. Cremos que assim Deus vai tecendo um lindo tapete que é a nossa vida.

Mas assim questionei: Mudei-me para Brasília para que a minha história fosse construída ou para construir a história de alguém que necessitava de alguma habilidade (ou desabilidade) minha? A Cida é hoje a nossa ajudante lá em casa porque precisamos dela ou é nossa família que é importante na construção da história da Cida? Fui contratado neste emprego para que eu recebesse uma bênção de Deus ou para que meu patrão recebesse uma bênção de Deus? Qual é o fio da meada?

Se a vida for comparada a um tabuleiro de xadrez, podemos comparar as pessoas, circunstâncias e escolhas como bispos, cavalos, torres, reis, rainhas e peões que vamos movendo, conforme nossa estratégia diz que será a melhor jogada, buscando segurança emocional e física, conforto espiritual, sentimentos de realização, felicidade e coisas que consideramos necessárias a nós. Movemos as peças no tabuleiro segundo nossos desejos, punções, fobias, crises, paranóias, necessidades e conhecimento. Tomamos decisões. Por vezes estamos ganhando o jogo, por vezes perdendo. Por um golpe, lágrimas convertem-se em riso e... Xeque-mate!

Concluí que todos somos peças no tabuleiro alheio, sendo que o nível econômico define quem pertence ao tabuleiro de quem. Infelizmente é assim. Não existe igualdade. De maneira quase mesquinha e com vistas aos nossos próprios interesses, muita e muitas vezes movemos as pessoas que estão abaixo de nós como peças em nosso tabuleiro, visando a nossa vitória no jogo da vida. Quando o ser-humano exerce superioridade intelectual, financeira, social ou emocional sobre outro, o considera peça no tabuleiro de sua vida. Mas não devemos nos enganar: Nós também somos peças nas mãos de outros. Todos somos peças! Será que sou um bispo ou um cavalo? E de quem? E para quais fins? Só não está sendo manipulada a peça que já morreu e saiu do jogo.

Jesus compreendia isto muito bem. Ele chamava este tabuleiro de vida e as regras deste jogo de “mundo”. Ele compreendeu que revolução política alguma seria capaz de mudar este cenário, mas ensinou que apenas o verdadeiro amor pensa primeiro no próximo e não em sí mesmo e em seus próprios interesses.

Quando amamos as pessoas de verdade, não as usamos como peças do nosso xadrez, mas as respeitamos e buscamos o melhor para elas.

Amar o amor de Jesus significa jogar não para ganhar, mas viver para empatar o empate da Graça. Mover as peças não para o buraco, mas entender que as pessoas que passam em nossas vidas devem em primeiro lugar serem servidas. Se eu primeiro me sirvo das pessoas-peças, estou sendo um jogador mundano e não tenho conversão.

Conversão é não querer ganhar, mas deixar que Deus mexa as peças.

Pois, no fim das contas, esta partida tem um juiz – que não gosta de jogo roubado.



Agora, pausa para a arte!


Neste filme de animação abaixo, feito com a técnica claymation (stop-motion de massinha de modelar) mostra que em nosso cotidiano a luta pela sobrevivência pode converter-se numa luta avassaladora sem fim. Sempre gostei de claymation, desde a minha infância e lembro-me de inúmeros desenhos que assistia. Atualmente meu filho Pedro é fã de "A Fuga das Galinhas", um belo longa-metragem de animação todo rodado com esta técnica.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

FELIZ 2009 COM DEUS AO SEU LADO



Um negrão do Harlem, que está hoje com 70 anos, compôs a música Stand By Me, que é considerada uma das 100 composições do Século XX. A letra é linda e a música foi regravada por inúmeros cantores, tendo ficado muito conhecida na versão com John Lennon.



A versão do filme abaixo é um achado, executada por artistas de rua de vários lugares do mundo. Esta versão foi produzida pela Fundação Tocando pela Mudança (Playing For Change).



Esta música diz que, "não importa quem você seja, não importa para onde você vá, não importa quanto dinheiro você ganhe em sua vida, não importa quanta liberdade você tenha, você precisa de alguém do seu lado.”



Que Deus continue a seu lado durante todo o ano de 2009.



Que Deus abençoe e guarde você.



Eu Deus faça resplandecer o seu rosto sobre você.



Que Ele dê a você a paz.



Tenha um ótimo novo ano com paz, Graça e bênçãos, ou seja, em 2009, ponha Deus ao seu lado!
Mas, sobretudo, como "melhor é dar do que receber", que você fique ao lado de alguém em 2009.
Você dê apoio a quem necessitar (mesmo que você não goste desta pessoa),
Você não seja irônico com quem você julga inferior, mas amorosamente, seja paciente.
Você não ofenda, "não retribuindo o mal com o mal, mas retribuindo o mal com o bem".
Seja tolerante em 2009, nem todos são tão bons quanto você se julga ser: Fique do lado de alguém!
Que você dê o que você deseja para você.
Que em 2009 você fique emocionalmente do lado de pessoas, dando suporte.



Agora, curta STAND BY ME, de Ben E. King:


(Tradução por Jackson Emílio)

Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo
(Não, eu não terei medo)
Desde que você fique,
Fique comigo!

Então
Fique comigo.
Oh, fique comigo,
Oh, fique
Fique comigo,
Fique comigo...

Se o céu que vemos lá em cima
Desabar e cair,
Ou as montanhas desmoronarem no mar,
Eu não chorarei, eu não chorarei
Não, eu não derramarei uma lágrima,
Desde que você fique
Fique comigo!

Quando você estiver com problemas,
você não contará comigo?
Oh, conte comigo!
Oh, você não ficará agora?
Conte comigo



Versão Original


When the night has come

And the land is dark

And the moon is the only light we'll see

No I won't be afraid,

No I won't be afraid

Just as long as you stand, stand by me



So darling, darling

Stand by me,

oh, stand by me

Oh stand, stand by me,

Stand by me


If the sky that we look upon

Should tumble and fall

Or the mountains should crumble to the sea

I won't cry, I won't cry

No I won't shed a tear

Just as long as you stand, stand by me


Whenever you're in trouble,

won't you stand by me

Oh stand by me,

oh won't you stand now?

stand by me

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PARE COM PARADIGMAS: ENXERGUE LONGE!



As maiores lutas que vivemos diz respeito a nossos paradigmas, nosso jeito “certo” de ver e de fazer coisas.
Se tinha algo que Jesus não gostava era da religiosidade, ou seja, o hábito de criar paradigmas (transformar hábitos em dogmas).
Paradigmas são prisões que nos impedem de enxergar longe.
Ao contrário, Ele era mestre em fazer as pessoas enxergarem além dos costumes religiosos e assim apresentava uma forma de viver o Reino de Deus de maneira leve.
"Venham a mim aqueles que estão cansados e sobrecarregados que eu vos aliviarei".
Jesus trás alívio e leveza. Mostra um tipo de religião que não exige esforço ou sacrifício: Ele já sacrificou-se.
Quantas pessoas que não se aproximam de Jesus por medo da religião?!

Como fruto do meio e de nossas experiências, vamos criando formas de pensar e agir que se perpetuam em nossas vidas, assim, não apenas qualidades, mas também defeitos cristalizam-se, conceitos convertem-se em verdades e nos perdemo numa miopia existencial.

Jesus foi uma pessoa que viveu quebrando paradigmas. Inúmeros. O jeito dos religiosos verem e fazerem as coisas foi subvertido pelo discurso de Jesus. Ele ousou quebrar todos os paradigmas humanos.

Uma pena que o cristianismo não tenha conseguido fazer a mesma coisa que Jesus, mas ao contrário, em nossa limitada capacidade de imitar o Mestre, muitas vezes pensamos que estamos sendo livres como Cristo, mas, na verdade, estamos criando novos paradigmas que aprisionam.

Jesus falou que devemos perdoar o outro sem reservas: “Dar a outra face” é uma loucura em qualquer cultura humana, pois quebra o paradigma básico da justiça humana: Olho-por-olho!
Jesus disse também que se quisermos fazer alguma diferença no mundo, devemos servir ao outro e AMAR nosso vizinho do mesmo jeito que nós nos amamos. E assim ele foi quebrando paradigmas humanos, pois Ele ainda diz que amar nossos familiares não significa absolutamente nada, não é um mérito, pois este é um comportamento natural e instintivo, mas se quisermos ser bons, devemos AMAR nossos inimigos.

Cara! Quanta quebra de pardigmas podemos encontrar no discurso do amor radical de Cristo.

A Igreja, após Cristo, obteve sucesso em promover a mensagem de Dele, mas não obteve tanto sucesso em reproduzir o seu comportamento, ao contrário, caminhou criando paradigmas. O pior paradigma é o paradigma da religião, pois acaba virando dogma. Comportamentos, usos e costumes que são sacralizadas.

Quando um paradigma é sacralizado, vira um dogma de fé e quem ousar quebrá-lo, torna-se herege, pois o paradigma passou a ser considerado um 'costume santo'.

Logo que eu iniciei meus estudos teológicos, uma amiga muito querida olhou para mim e disse que eu não tinha “perfil” para ser pastor, pois eu era muito “moderno”. Eu apenas ri e brinquei muito tempo com ela sobre esta questão. Mas o que ela disse representa o paradigma de muitas pessoas sobre o ministério pastoral. Ainda hoje, muitos olham para minha forma de vestir, pensar, falar, viver e analisam (outros poucos olham e dizem): “Mas você não tem ‘jeito’ de pastor”!

Me divirto com estes paradigmas!

Jesus quebra os paradigmas! JESUS ENXERGA LONGE!

Jesus não faz acepção de pessoas, ele também aceita os pastores cafonas, da mesma forma que ele aceita os elegantes. Ele também aceita os crentes conservadores, assim como aceita os crentes modernos. Ele aceita os pecadores da mesma forma que ele aceita os demais, os que supõem serem melhores. Ele veio para os que pensam serem sadios, assim como ele veio para os doentes.

Enxergo inúmeros paradigmas na Igreja Metodista (a que pastoreio): Costumes que viraram dogmas e foram santificados.
Nossa missão é fazer o que Cristo fazia: não preocupar-se com as instituições humanas, mas enxergar longe, quebrando paradigmas para a implantação do Reino de Deus, que é leve!
A religião não é Deus, mas uma instituição. Vejam neste filme como que os paradigmas podem atrasar as vidas das pessoas e instituições. Muitas vezes temos levada nossas vidas sem enxergar além.
O Reino é leve! Se é pesado, não é Reino de Deus

QUEM VOCÊ ALIMENTA?



Uma noite, um velho índio contou ao seu neto sobre a guerra que acontecedentro das pessoas.



Ele disse: 'A batalha é entre dois 'lobos' que vivem dentro de todos nós'.



Um é Mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância,pena de si mesmo, culpa; ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulhofalso, superioridade e egoísmo.



O outro é Bom: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade,bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé...



O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

- Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

- Aquele que você alimenta....
COLABORAÇÃO: JULIANE, LÁ DO CANADÁ!
CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.goldsteinusa.com/

terça-feira, 25 de novembro de 2008

COMO QUER SEXO HOJE? SUJO OU LIMPO?



Lá por 1894 uma tal Ruth Smythers, esposa de um pastor metodista, escreveu um livro intitulado "Sex Tips for Husband and Wives" (Dicas de sexo para maridos e esposas) onde oferecia conselhos para jovens casais. Estamos falando da época vitoriana quando as relações sexuais eram consideradas mais próprias de rebeldes e de gente sem ter o que fazer do que uma forma de dar prazer ao corpo. Na seqüência alguns dos conselhos de Ruth:

A esposa deverá estar sempre alerta para manter o mínimo de relações sexuais e limitar a qualidade e o grau das mesmas.

Deve se lembrar em conta que um marido egoísta e sensual sempre poderá abusar sexualmente de sua esposa, em qualquer caso, o sexo deve ser pouco praticado, muito pouco mesmo, porque de outra forma poderia se converter em orgia luxuriosa.

A maioria dos homens são pervertidos por natureza e se dermos a mínima oportunidade, seremos envolvida em problemas tais como fazer amor em posições estranhas ou ainda que te beijem por todo o corpo e vice-versa.

A recém casada poderá permitir um máximo de duas breves relações sexuais à semana e à medida que o tempo vá trascorrendo fará todo o possível para reduzir a freqüência das mesmas.

Fingir uma doença, a falta de sono ou as dores de cabeça podem ser seus melhores aliados.

Para muitos maridos o melhor do ato sexual encontra-se no relaxamento, por causa da exaustão, que vem logo após a relação. A esposa deverá assegurar que esse relaxamento seja mínimo, de outra forma o marido poderia se ver tentado a repetir.

As boas esposas deverão estar sempre em contínua aprendizagem e pôr em prática novos métodos para dissuadir o marido quando este sinta-se excitado sexualmente. Iniciar qualquer tipo de discussão antes da relação é um método muito eficaz.

A esposa nunca permitirá que seu marido possa observar seu corpo nu e nunca permitirá que ele lhe mostre o seu.

Se teu marido tentar te beijar na boca gire a cabeça delicadamente.

Se levantar sua blusa e tentar beijar qualquer outra parte do seu corpo reage imediatamente colocando rapidamente a blusa, pule da cama diga que tens que ir ao banheiro.

A esposa se manterá completamente em silêncio enquanto o marido sopra e ofega durante o ato e sob nenhuma circunstância pronunciará palavra alguma durante o mesmo ou qualquer outro tipo de exclamação.

Coitados dos nossos bisavós (e das "nossas" bisavós também) ...

Na verdade, a Bíblia nada fala sobre a vida sexual íntima do casal, o que subentende-se que, dentro de quatro paredes, o amor é o limite. Entretanto a moral sempre influencia no que um grupo entende por certo ou errado no quesito vida sexual conjugal. Moral é o conjunto de usos e costumes, baseados no senso comum, socialmente aceitos por um grupo, portanto, a moral varia de época, cultura, país, etc.

Sexo é dom de Deus para ser desfrutado dentro de uma relação estável.
Ou seja, para um casal, sujo é apenas aquele sexo praticado antes do banho!
O filme a seguir é um comercial premiado, muito engraçado, que ironiza a castidade pré-nupcial. Claro que uma situação tão bizarra como a do filme raramente acontece.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

TESTEMUNHO DE ZAQUEU



Imagine, por um instante, que Zaqueu, sim aquele publicano que morava em Jericó, homem rico e de baixa estatura se convertesse numa igreja que prega a Teologia da Prosperidade hardcore, ou coisa semelhante. E então os seus líderes sabedores de sua conversão e diante do fato de que ele era uma pessoa importante, a bíblia o chama de maioral dos publicanos, aproveitasse a situação a fim de fazer propaganda de sua organização com o fim de persuadir outros a se agregarem a ela. Suponha ainda que Zaqueu fosse convidado num programa ao vivo, e uma multidão tanto na igreja como pela TV estivesse assistindo. A reunião é chamada de Congresso dos Empresários, onde se alardeia que determinada pessoa depois que foi ao congresso e que participou das correntes dos 96 ou dos 813 obteve seu triunfo financeiro, chegou lá, comprou casas e carros, tem uma gorda conta bancária, e está cada vez mais expandindo os negócios, ganhando muito dinheiro.


Então o pastor pega o microfone e convida irmão Zaqueu para testemunhar.- Irmão Zaqueu, conte como era sua vida antes de chegar aqui? Indaga o pastor.Zaqueu então responde:- Pastor, eu era um homem com a alma sobrecarregada de pecado, rejeitado por todos do meu povo, mas principalmente distante de Deus pelo meu pecado.


O pastor, então, não gostando muito deste assunto, pede para Zaqueu falar sobre sua condição financeira. O que Zaqueu responde:- Ah! Querido, era exatamente isto o meu problema aos olhos de Deus.Então o pastor animou-se.- Fale-me mais do que ocorreu em sua vida.Zaqueu afirma:- Eu só queria ganhar dinheiro, ficar cada vez mais rico.O pastor indagou:- Mas agora depois que você se converteu como esta a sua situação? Melhorou?- No dia em que encontrei Jesus, querido pastor, respondeu Zaqueu - ele me libertou deste engano, desta ambição desgraçada que me acorrentava, por dinheiro eu fazia tudo, ameaçava as pessoas, era ganancioso e materialista.- Mas irmão Zaqueu a sua situação melhorou? Questionou o pastor.- Claro! Respondeu Zaqueu. - Depois que me converti, o fardo deste terrível pecado foi tirado, encontrei Jesus e nele encontrei salvação verdadeira.


O pastor interrogou:- Sei, Zaqueu,que isto é bom, mas o que eu me refiro é sua situação econômica, creio que uma vez que você era rico, agora você se tornou milionário, não foi mesmo?- Não, não, não! Pelo contrário quando reconheci meu terrível pecado e me converti crendo no Senhor Jesus fiquei financeiramente pobre. Eu disse naquele dia em que encontrei com a graça de Deus revelada em Jesus: “Resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e; se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.[Lc 19:8] Disse isto, na frente de todo mundo, para que todos ouvissem e testemunhasse a grande transformação no meu coração. Não somente disse como fiz. Quando dei aos pobres a metade do que tinha e restitui o que havia tomado indevidamente dos outros, não ficou muita coisa, pelo contrário fiquei pobre! Ou seja, ao me converter, empobreci financeiramente. Mas a minha felicidade e alegria não é por causa do que tinha e perdi, na verdade aquilo era minha infelicidade. Minha felicidade é porque achei o Verdadeiro Tesouro [Mt 13:44], a Pérola de Grande Valor [Mt 13:45-46]. Sim pelo sangue de Cristo ele me lavou e me resgatou deste vil pecado, e esse sangue foi derramado na cruz por amor de mim, sangue preciosíssimo que nem toda riqueza do mundo é capaz de se comparar ao seu valor [I Pe 1:18-19]


Depois de ouvir o testemunho do irmão Zaqueu, o pastor o aconselhou:- Zaqueu, você precisa vir para a Sessão do Descarrego e cumprir as setes semanas da vitória, depois o espírito da miséria que vive sobre você sairá e essa maldição financeira será desfeita e quebrada.


O pastor ao observar que a platéia estava calada e pensativa pelo testemunho de Zaqueu, então falou:- Meu amigo, minha amiga. Precisamos entender que há pessoas que estão iludidas com esta mensagem falsa que Zaqueu compreendeu. Devemos lembrar que Deus é o Deus da prata e do ouro e que é da vontade dele que todos sejam ricos. Amém pessoal??? E a clientela gritou: Amém!!!!!
(contribuição do Pr. Luiz Correia)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O NOVO BOM SAMARITANO ???



Rubem Alves é um livre-pensador. Ele diz que : "Jesus sabia que as estórias são o caminho para o coração. Por isso contava parábolas. As parábolas de Jesus eram sempre feitas em torno de situações da vida naquela época. Se ele vivesse hoje suas parábolas seriam diferentes." Assim, ele propõe esta revisão abaixo.



“O Bom Samaritano"


“E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?“ E ele lhes contou a seguinte parábola:Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira“. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.


Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.“ Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo...“ Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.


Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!“ O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!“ e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.


Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.“ Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.


O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?“


Rubem Alves, julho de 2002


Vamos lembrar que para os Judeus, os Samaritanos eram considerados inimigos e indignos do Reino de Deus, por serem pecadores e hereges. Quando Jesus contou esta parábola, em sua versão original, ele ofendeu muitíssimo os líderes religiosos judeus ao sugerir que um Samaritano poderia ser "melhor" que um judeu religioso.
O que Jesus tentava ensinar é que todos somos pecadores e, mesmo aqueles que os religiosos consideram os piores pecadores, podem ser melhores que estes religiosos em algumas áreas de suas vidas. Ninguém é melhor que ninguém, mas a Graça de Deus é tudo por todos!
Odiemos o pecado, mas amemos o pecador.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

EU QUERO TEU COLO, SENHOR!


A psique é mundo de mistérios. Os profissionais dedicados a compreender a alma humana reconhecem que mesmo com os avanços da psicologia, muito ainda há que se caminhar neste terreno. O fato é que na alma, todos os nossos sentimentos ali sediados vivem em constante movimento: conflitos, harmonias, medos, seguranças, esperanças, paixões... Apesar de o homem não ter desvendado os mistérios da alma, sabemos que Deus, quem a criou, tudo sabe.

Eu nunca fui um cara muito afeito a relacionamentos afetivos. Talvez como fruto de uma infância e adolescência com pais pouco presentes. O fato é que cresci sem saber dar ou receber carinho e afeto e, como tive que me virar sozinho por muito tempo, acabei tornando-me um ser bastante egoísta, pois entendia que seu eu não olhasse por minhas necessidades, talvez ninguém o fizesse.

Um temor que eu tinha era ter filhos, pois supunha que eu seria o pior do pais, crendo que jamais conseguiria dar aos meus filhos carinho e afeto. Aquela história de que “pai tira da boca para dar ao filho” soava muito estranho para mim e eu não acreditava que eu seria capaz de fazer isto, uma vez que em primeiro lugar vinham as “minhas” necessidades.

Descobri que realmente “somos como os animais” (como já disse Salomão – nosso velho conhecido), pois quando minha filha nasceu, tudo isto se dissipou e tornei-me justamente o contrário: um pai superprotetor, superpresente ou “supermãe” – segundo o paradigma latino-americano. Fui abençoado, creio, pois meu temor não se confirmou, mas minha alma reagiu à paternidade no extremo oposto. A natureza humana tem dentro de si uma semente de paternidade ou maternidade latente. Se inicialmente muito preocupado com aquele bebê, com o tempo veio a alegria do equilíbrio.

Deus é pai!

O bom pai ajuda, socorre, sustenta, levanta, mas também ensina, corrige e até repreende quando necessário, não sendo pai ausente, mas importando-se com nosso futuro.

A Bíblia ensina que, em Cristo, todas as pessoas mudam de status quo ante o criador: de criaturas somos transformados em filhos, e como filhos de Deus, somos irmãos de Jesus e, por direito, herdeiros com ele... Herdeiros do Reino de Deus!? Uau! Os que estão em Cristo, morarão na casa do Pai. Que conforto saber que este mundo e nossa vida terrena passam, mas que há uma promessa de vida eterna e tranqüila, sem choro nem vela, juntinho de Deus. Mas o “bicho-pega” porque esta promessa não é para todos, pois “quem não aceita Jesus, já está condenado”.

Querendo fugir da condenação, muitos não aceitam esta parte do Evangelho, mas rejeitam estas palavras de Jesus e criam infinitas e bizarras filosofias para tentarem explicar as várias maneiras de existência ou inexistência da vida eterna.

Eu quero o teu colo, Senhor!

Livres da psique humana, da miséria física e da angústia social, lá, nos encontraremos num mundo que não é este mundo, que não funciona na lógica deste mundo, onde mérito não existe e a Graça é tudo. Mundo onde Deus é pai presente, pai que nos dá colo, abraço apertado, carinho... Como já foi dito pelo profeta, “um lugar onde não haverá nem choro nem ranger de dentes”.

O bom é que deste "colo do Pai" a gente já pode desfrutar desde já. Não foram poucas as vezes em que eu clamei ao Pai pela sua ajuda, socorro, misericórdia e pude sentir suas mãos espirituais me sustentando, me dando forças para viver, firmando meus passos para que eu pudesse continuar caminhando, me ensinando pacientemente, para que eu não mais erre tanto!
Este amor constrangedor igualmente nos constrange a amar as pessoas que nos rodeiam, tirando-nos do egoísmo e individualismo.

Esta é a minha esperança e por ela vivo.

Veja neste vídeo o que um pai amoroso é capaz de fazer por um filho com sérias limitações. Pensando nisto, saiba que nosso “Pai Celeste” também nos carrega em nossas limitações diárias.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ESPERANÇA 2



A esperança é a mola que move o mundo. É ela que nos faz levantar, trabalhar, inventar, criar, desejar, arriscar, produzir, reproduzir, insistir, tentar e tentar novamente. A esperança é a matéria prima da religião. A esperança é a energia dos inventores.

Quando perdemos a esperança, perdemos a razão de viver e a razão de morrer.

“A esperança vê o que não existe no presente,
existe só no futuro, na imaginação. A imaginação
é o lugar onde as coisas que não existe, existem.
Este é o mistério da alma humana: somos
ajudados pelo que não existe, quando temos
esperança, o futuro se apossa dos nossos corpos.
E dançamos. É, pois preciso estar embriagado de
esperança e quem é possuído de esperança fica
grávido de futuros... Aqueles que ouvem a
melodia do futuro plantam árvores em cuja
sombra nunca se assentarão, mas não importa.
Eles se alegram imaginando que as crianças
amarrarão balanços em seus galhos. E assim
todos que sonham plantam árvores”.
Rubem Alves


Não desista dos seus sonhos!

A árvore representa bem a esperança. Quando plantamos uma semente estamos tendo um aatitude de fé e de esperança. estamos acreditando no potencial que existe na semente. A semente não é árvore, mas a semente é a possibilidade, a esperança de uma sombra ou de uma fruta ou de um balaço para uma criança rir bastante enquanto não cresce. Uma semente guarda um enorme potencial.

Jesus falou sobre disse dizendo que se a nossa fé for como uma semente de mostarda, poderemos mover montanhas, pois a semente, se plantada e regada crescerá e virará algo frande que será útil para outros.

Meu sonho é ser semente plantada. Minha esperança é ser planta crescida. Meu objeto de desejo é fé inquebrantável!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

ESPERANÇA 1






Em cinco anos, o brasileiro será o povo mais feliz do mundo. Pelo menos, é o que ele espera. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Votorantim, com base em dados coletados pelo Instituto Gallup com mais de 130 mil pessoas em 132 países, revelou que os brasileiros têm o nível mais alto de expectativa de felicidade em relação ao futuro: 64% dos entrevistados acreditam que terão felicidade suprema até 2013. Em uma escala de 0 a 10, a satisfação tupiniquim em cinco anos será de 8,28.


A explicação para tanto otimismo juvenil é a transformação no cenário econômico brasileiro. Só em 2007, foram criados 1,6 milhão de novos empregos formais, e 91% deles ficaram com pessoas de 15 a 29 anos. Nesse período, a renda do jovem gerada pelo trabalho aumentou 10,5% ao ano e seu nível de escolaridade também aumentou 1,75%. Agora ele passa 10,4 anos na escola, contra 9,5 anos em 2003. Mas a explicação não pode ser apenas técnica, pois, creio eu, existe um fator sociológico que não pode ser: o alto nível de esperança presente ma população brasileira.
Alguém já disse que nós não devemos tirar as esperanças de ninguém, pois pode ser que esta seja a única coisa que ela tenha. De fato, se buscamos viver, somente buscamos porque temos esperança que “as coisas podem melhorar”, sendo que tais “coisas” podem ser definidas como situação econômica, relacionamento conjugal, crise existencial, amor não correspondido, planos frustrados...


Há um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à Terra e, com ela, a origem de todas as tragédias humanas. Essa história chegou até nós por meio do poeta grego Hesíodo, que viveu uns setecentos anos antes de Jesus andar pela palestina. De acordo com o mito, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefão dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher. Antes de enviá-la à Terra, entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança.

Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa. Neste seu ato, Pandora, assim como sua outra companheira também posta na terra pelo Deus dos Hebreus (Eva), acabaram criando uma grande confusão por não obedecerem, ou melhor, por serem curiosas demais. Assim, a pequena Pandora abriu a caixinha proibida liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair.

Essa metáfora foi a maneira encontrada pelos gregos para representar, num enredo de fácil compreensão, conceitos relacionados à natureza feminina, como a beleza, a sensualidade e o poder de dissimulação e de destruição.

Esperança!

A esperança continua lá, presa na caixinha da Pandora, assim, ela permanece viva dentro do coração e mente de toda a humanidade: Esperança!
Amanhã será melhor.
A vida vai melhorar!
Pra frente é que se anda.
O que seria da humanidade não fosse a esperança? As invenções cessariam. Muitos inventos mecânicos, arquitetônicos, farmacológicos, etc. Existem somente em função da esperança. Quem inventa, inventou somente porque teve, antes do invento, a esperança que algo novo surgiria. A esperança move o coração dos inventores.

A poesia... Poesia é fruto também da esperança. Poetas são... Poetas! Poetas estão no mundo quase impenetrável que está num local de difícil acesso para pessoas normais. Este local fica exatamente entre a realidade em que vivem diariamente em seus corpos físicos que sentem frio, fome e medo e uma outra dimensão, perto do céu. Um local mítico, azul, vizinho da eternidade. E por estarem tão pertinho da eternidade, os poetas acreditam que há possibilidade de algo melhor que o hoje. Eles têm esperança. São movidos pela esperança. Esperança que suas penas, letras e versos os levem para mais perto deste paraíso existencial, ou que, ao menos, possam ajudar pessoas a saírem do mundo material para a dimensão deles, onde a vida fica mais azul.

É a esperança que faz com que milhões de pessoas acordem pela manhã e se dirijam para seus locais de trabalho, para um dia estafante, cansativo.

A Esperança é uma mola propulsora para o homem. Curiosamente, nos evangelhos não há nem um sequer relato de Jesus pronunciar a palavra “esperança”. Jesus não falava de esperança, mas ele falava de certeza. Ele não achava e não cria, mas ele, simplesmente, sabia. Em contrapartida, após os evangelhos, apalavra esperança é citada no Novo testamento dezenas de vezes.
Curiosamente Jesus não pregou sobre a esperança, pois esperança não é coisa de deus, mas coisa de homem. E, na verdade, como esperamos...


A esperança tem sido a mola mestra não apenas da humanidade no que diz respeito às suas questões práticas, mas de forma ainda mais contundente, a esperança tem sido a mola mestra dos místicos, especialmente do cristianismo, pois, para a subsistência do cristianismo, a esperança tem de ser a última a morrer...

CONTINUA SEMANA QUE VEM NA PRÓXIMA POSTAGEM


terça-feira, 9 de setembro de 2008

A "RAVE" É A MINHA PARÓQUIA.




Uma coisa legal em Jesus é que ele rompia com a religiosidade e o tradicionalismo sem cerimônias. Em sua época e cultura, a religião pertencia ao "templo" e aos velhinhos e poderosos que tomavam conta do templo. Se alguém quisesse uma bênção, perdão ou aplacar algum sentimento de culpa, tinha que ir ao templo e pagar aos velhinhos por este serviço religioso.


Jesus acabou com esta lógica, pois era ele, em sua juventude, quem ia até as pessoas, e pior, ele as perdoava sem cobrar nada. Jesus saiu das quatro paredes do templo e foi onde o povo estava para levar a Palavra de Deus, assim, ele conversava com pessoas de todo o tipo. Os velhinhos do templo, trancados em suas quatro paredes, não gostavam nadinha daquela revolução herética. Jesus escandalizava os velhinhos do poder, pois comia, bebia e ia em festas: coisas pouco religiosas!


Engraçado que este padrão, inaugurado por Jesus, repete-se sempre na história do cristianismo. Teve um outro cara, um inglês, já no século XVIII, que também rompeu com a lógica de obrigar as pessoas irem para dentro de quatro paredes para receberem algo de Deus, mas ele deciciu sair fora e, como Cristo, saiu para pregar nas ruas, nas praças, nas fábricas, onde tivesse gente. Novamente, os velhinhos detentores do templo não gostaram dele estar imitando Jesus e muitos até falaram muito mal dele e de suas práticas "modernas" e "revolucionárias", mas ele, John Wesley (tanto quanto Jesus), apesar de sofrer difamação, fez história.


Eu tive uma experiência muito legal no fim de semana que passou: Preguei o Evangelho numa "rave" (que para quem não sabe, trata-se de uma festa de música eletrônica). O grupo era grande, foi na cobertura de um shopping center, vários DJ's, música boa, a platéia era composta de pessoas de várias religiões e alguns que não queriam perder tempo com religião, mas a maioria da turma era mesmo de evangélicos, inclusive alguns dos DJ's. Cabelos coloridos, tatoos, roupas extravagantes e nada de drogas ou álcool. Lá pelas 3 da matina chamaram o pastor para pregar. Ele era eu. Me deram sete minutos. Que desafio gostoso! Que bênção não ser original e poder imitar descaradamente Jesus e Wesley, saindo das quatro paredes e indo onde os velhinhos do templo jamais iriam, não privando o mundo de bênção e perdão.


Assim, acabei não sendo nada original, pois como para meus mentores, naquela noite, o mundo foi a minha paróquia.