terça-feira, 23 de agosto de 2011

QUEM QUER DINHEIRO?



Iniciei o meu último sermão pedindo para aqueles da platéia que “não querem dinheiro” que levantassem suas mãos. Ninguém levantou a mão. Fiz a pergunta seguinte, invertida: “E quem quer dinheiro? Levante a mão”. Bem, todos levantaram as mãos por uma questão de coerência, já que não a haviam levantado na pergunta anterior.


Tenho certeza que se eu tivesse invertido a ordem da pergunta e tivesse iniciado o meu discurso perguntando “Quem quer dinheiro? Levante a mão”, ninguém levantaria a mão, posto estarmos todos (eu incluso) presos à hipocrisia social e religiosa por meio da qual o dinheiro é coisa ruim, pertencente ao reino ou da carne ou do diabo. Portanto, dentro de uma igreja e para o pastor, não podemos assumir, assim, publicamente, que queremos dinheiro.

Dinheiro não é problema. Dinheiro é bênção! Com dinheiro compramos remédio! Com dinheiro compramos comida! Com dinheiro nos vestimos, nos divertimos, dormimos em colchões e com lençóis macios. Com dinheiro podemos nos locomover com mais facilidade... Podemos emprestar ao colega. Quem quer dormir no chão, com fome e dente? Não sei você, mas eu não tenho esta pretensão.

Se dinheiro é algo importante, porque a pseudo-humildade em dizer que não se quer dinheiro?

O apóstolo Paulo nos dá uma pista para tirar esta confusão de nossas cabeças. Paulo informa o seu pupilo Timóteo por meio de um “coaching” que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Sacou? O mal não é o dinheiro, mas sim o AMOR AO DINHEIRO, o que é bem diferente!

O problema não é ter ou querer ter dinheiro, mas desejá-lo além do razoável... É colocá-lo num pedestal existencial. Não se enxergar longe dele e querer acumulá-lo em função de um monte de doenças da alma: insegurança, ansiedade, exibicionismo, vaidade, soberba, e por aí vai! Pessoas fracas e doentes que precisam do dinheiro para mostrar ser o que, de fato, não são! Ou pessoas que realmente não crêem em Deus. Pessoas que não crêem que Deus é o grande supridor e ajudador, portanto, com base na ansiedade e no medo do futuro, começam a acumular demasiadamente para o amanhã, esquecendo que caixão não tem gavetas, e quando despertarem em outra vida perceberão o tempo mal investido.

Deus se alegra em dar e em prosperar as pessoas. Conheço muitas pessoas financeiramente abençoadas, mas que não vendem sua alma ao dinheiro. Pessoas que têm dinheiro de sobra, mas que sabem que este é um bem passageiro e finito, portanto, procuram usá-lo para o bem.

Como é que usamos o dinheiro para o bem?

Paulo também nos dá outro ensinamento: “Deus ama a quem dá com alegria”.

Usar o dinheiro para o bem é dar, doar, distribuir, repartir e coisa e tal e tal e coisa.

É impressionante como as pessoas tem dificuldade de usar o dinheiro para o bem. Em sua maioria, as pessoas fazem doações de Natal e para o molequinho que pede uns trocados no semáforo. Enfim, dá-se o que não faz falta. Dá-se o resto... A quantia que sequer arranhará nossa “fortuna”. Isto não é fazer o bem ao outro, mas fazer o bem a si mesmo, posto a maioria das pessoas dá não para ajudar o próximo, mas para ajudar suas próprias consciências. Como? No sentido de que se eu dou, fico com a minha consciência limpa. Doar, neste caso, é um recurso usado para aplacar o sentimento de culpa de ter dinheiro. Assim, estou dando por amor a minha consciência e não para fazer o bem ao próximo, mas autorizando-me a ser vaidoso. Sinto-me autorizado a continuar acumulando ou a gastar com as minhas futilidades, afinal, já dei uns trocadinhos no semáforo e já mandei três cestinhas básicas para uma creche. Agora não mais tenho peso na consciência para esbanjar meu rico dinheirinho em prazeres fugazes e egoístas. Ou seja, com minhas doações, não estou ajudando a ninguém, mas estou, de fato, ajudando a mim mesmo: lavando minha consciência de qualquer culpa e tentando chantagear Deus! A minha doação não tem expressão de amor real, amor doador, mas é a pura expressão do egoísmo disfarçado de filantropia... Isto fede! Fede enxofre...

Veja que Paulo não disse que Deus ama a quem dá, mas sim que ama a quem dá COM ALEGRIA! O que é beeeem diferente!

Tem gente que dá por obrigação ou constrangimento. Mas tem gente que dá com alegria no coração, satisfeita por estar compartilhando algo que também recebeu.

E neste circo da vida, há muitos pseudo-pastores e pseudo-igrejas que também gostam muito de dinheiro! Que estão ávidos por angariar e dispersos para distribuir. Entretanto, ninguém que não dá com alegria está autorizado a falar mal desta turma, ou serão hipócritas.

Tem gente pobre de alma que só pensa em ficar rico e fazem de tudo para alcançar este objetivo: acendem velas, fazem despachos, vão às correntes de igrejas neo-pentecostais, jogam na cena, procuram pessoa “rica” para se casar... E por aí vai. Contudo, não estudam e não trabalham com afinco, sequer oram sempre para que Deus as coloque no lugar certo na hora certa, fazendo a suprema vontade Dele. Se Deus tiver para nós riqueza: que bom! Se para nós Ele tiver vida modesta: Que bom também!

Sabe para quem Deus dá com alegria? Para quem também com alegria dá! Quem tem a mão aberta para o próximo e para o Reino, tem o céu aberto em cima de suas cabeças, mas os avarentos possuem bolsos furados e vidas frustradas. O dinheiro, às vezes, até que entra, mas o vazio da alma continua, pois não há grana que nos compre a paz de espírito, pois isto é dom de Deus.

Como está escrito em segundo a Lucianocenses: “Faça o bem sem olhar para quem.”

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Para emprestar dinheiro... Os banqueiros fazem de tudo!



Para você saber o que eu acho de fazer macumba para ficar rico, não deixe de ler este outro artigo, CLICANDO AQUI

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mc Donalds


Costumo dizer que o cristianismo não acontece aos domingos nas igrejas, mas sim de segunda a sábado, no dia-a-dia.
É em nosso cotidiano que podemos mostrar às pessoas e, sobretudo, a nós mesmos, do que somos feitos. Qual a nossa essência?

Não raro temos inúmeros frequentadores de igreja que, no fundo, não passam disto mesmo: religiosos. Pessoas preocupadas com a estética religiosa, contudo descomprometidas com a ética cristã: julgadores, arrogantes, gananciosos, opressores... Mais preocupados em parecer ser do que viver o que prega. Religiosos são mestres em afastar as pessoas de Jesus.

Ir à igreja é muito bom quando o estímulo está correto. Contudo, muitas vezes os estímulos estão errados.
Alguns vão à igreja por medo de irem para o inferno.
Outros vão à igreja pensando que assim comprarão Deus.
Alguns vão apenas por hábito religioso mesmo.
Outros para terem um convívio social.

O apóstolo Paulo de Tarso nos ensina: "Não deixem de congregar". Vamos, sim, nos congregar, pois brasa fora de braseiro apaga, mas vamos nos analisar também: O que nos estimula a estarmos numa igreja?

Ir à igreja não faz de você um cristão, assim como ir ao Mc Donalds não faz de você um hamburguer, nem ir ao cinema faz de você um astro de Hollywood.

O que importa mais são as atitudes diárias.

QUEM SOU EU? QUEM É VOCÊ?




O processo de conhecer e ser conhecido é tudo, menos óbvio.


Desde “as folhas de figueira” que nós tecemos para nos cobrir, que uma das mais árduas tarefas do homem é conhecer-se e dar-se a conhecer. Sim! Pois aquelas folhas não cobriam nossa nudez, mas apenas nossa vergonha. Ora, a maioria dos homens tem vergonha de quem é. Por isto se mantêm na tonga da milonga do cabuletê.


Ou seja: cobrindo o ser que ele pensa que é (e, frequentemente, nem mesmo sabendo o que seja) enquanto desfila de malandro livre. Em geral quando se tem, dizem que desejam dar-se a conhecer ou dar a conhecer algo de si, no máximo têm-se os que revelam as idealizações que fazem de si mesmos, ou, ainda, apenas os que revelam o que sabem que não são, porém, que julgam ser bom parecer de tal modo ante os que supostamente os percebem.


Na realidade a maior parte dos encontros humanos são encontros entre mascarados!


Daí a necessidade de gestão tão acentuada da imagem e de aparência, pois, de fato e de verdade, o que existe entre os humanos não é o que é, mas tão somente aquilo que alguém, de saída aparenta ser; e nada mais além de apenas isto.


São poucos os que não se casam com a aparência ou que não contratam a aparência funcional, pelo menos para tê-la em lugar de demonstração ou, então, paradoxalmente, em lugar de escusa para mostrar. Digo isto apenas porque também há os que casam com a aparência como não-aparência.


Ora, esses são os que somente escolhem o que para os outros não é belo, apenas para fazerem do que seja publicamente considerado feio ou não-bonito, a bandeira de seu desprendimento estético ou de sua profundidade espiritual — tudo, porém, fruto de complexo e de insegurança.


O comum, no entanto, quando se trata de se auto-enganar com quem o outro seja [sem ser], é que se projete sobre o outro aquilo que também ele não é, tudo como projeção e fantasia de nosso surto mágico de encontro. Ora, o trabalho de dar-se a conhecer como esgoto de emoções é fácil. É só deixar vazar a insensatez.


Derrame!...


Por isto é que a maioria das pessoas não seria amiga de si mesma se tivesse que sê-lo. Assim, como não seriam amigas de si mesmas e nem confiariam em ninguém que tivesse os sentimentos e pensamentos idênticos aos produzidos pela própria pessoa, a maioria vai fingindo, se escondendo, e, como resultado, apenas encontrando outras performances como demonstração de ser.


No fim ninguém conhece ninguém, e, quando conhece, deixa após conhecer! Dói muito conhecer-se a dar-se a conhecer de fato e de verdade.


Entretanto, como o mundo jaz no maligno, mesmo sendo chamados a viver sempre com sinceridade, somos também chamados a não darmos o nosso interior a conhecer aos homens que, como porcos, não amem pérolas, mas apenas babugem. Por isto é Jesus manda que sejamos simples como as pombas e prudentes como as serpentes.


Assim, no ambiente humano caído e desconfiado, a sabedoria manda que a auto-revelação seja sempre sincera nos princípios de toda declaração, mas prudente no revelar o que quer que seja tópico, pois, o ouvinte, muitas vezes, se não é fraco, é doente.


A aparência, todavia, é tudo o que não é; pois, mesmo a pessoa mais bela exteriormente, se não se fizer sustentar pela beleza do que tem no coração, se enfeia aos sentidos ainda que do ser mais apaixonado, tão logo a realidade demonstre o ser em sua verdade escondida pela aparência e pela performance.


Por isto é que não dá mais para casar para conhecer, pois, hoje, com todas as doenças de alma escondidas pela estética e pelas performances de comportamento social, um casamento assim [para ver como a pessoa é], quase sempre conduz à catástrofe, posto que as pessoas tanto não saibam quem de fato sejam, como também estejam, exteriormente, sempre anos trevas de distancia de quem de fato sejam no intimo.


Mais do que nunca se tem que conhecer para casar, senão não casa em casa alguma. Entretanto, quando alguém quer se enganar, chama até urubu de meu louro. Orar pedindo a Deus que abençoe nossos encontros sem encontro humano, é como pedir a Ele que abençoe a nossa escolha de casamento em um baile de mascarados nunca antes apresentados, e, de cujo ambiente, escolheremos aquele [a] que viverá conosco e nós com ele [a] para sempre.


O problema é que a Síndrome das Folhas da Figueira está mais presente em nós do que nunca.


Sem as vestes da Graça que Deus nos oferece para cobrir-nos, a fim de deixar-nos livres da vergonha de ser, o que resta ao homem é continuar recorrendo àquilo que não o veste de sua real vergonha, mas apenas o encobre ante os sentidos de seu irmão, a quem ele se apresenta como um mascarado, porém, com ilusão de que apenas ele mesmo esteja mascarado nessa festa, crendo assim que aquele [a] a quem tira para dançar no baile desta vida esteja com a cara supostamente descoberta, embora o proponente julgue que somente ele conhece e pratica tal malandragem aprendida no Jardim.

A Síndrome das Folhas da Figueira nos acomete de um modo tão sutil que nós mesmos pensamos que nós somos os únicos mascarados nessa festa a fantasia chamada de encontro social humano.


Em geral a família costuma ser o lugar do verdadeiro encontro humano, mas, hoje, ela está em extinção em quase todas as perspectivas!


Assim, sem treino na verdade, quebramos a cara e pagamos caro pela nossa ignorante presunção; pois, de fato, todos estamos ainda muito vestidos de folhas de figueira e cobertos de mascaras faciais, e, portanto, todos carecemos da revelação da glória de Deus, a fim de sermos salvos de uma existência que encontra, encontra, e, quase nunca acha ninguém...
(Contribuição: Reverendo Caio)

E, assim, vai se cantando; "If you dont know me by now"...

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