terça-feira, 16 de setembro de 2008

ESPERANÇA 1






Em cinco anos, o brasileiro será o povo mais feliz do mundo. Pelo menos, é o que ele espera. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Votorantim, com base em dados coletados pelo Instituto Gallup com mais de 130 mil pessoas em 132 países, revelou que os brasileiros têm o nível mais alto de expectativa de felicidade em relação ao futuro: 64% dos entrevistados acreditam que terão felicidade suprema até 2013. Em uma escala de 0 a 10, a satisfação tupiniquim em cinco anos será de 8,28.


A explicação para tanto otimismo juvenil é a transformação no cenário econômico brasileiro. Só em 2007, foram criados 1,6 milhão de novos empregos formais, e 91% deles ficaram com pessoas de 15 a 29 anos. Nesse período, a renda do jovem gerada pelo trabalho aumentou 10,5% ao ano e seu nível de escolaridade também aumentou 1,75%. Agora ele passa 10,4 anos na escola, contra 9,5 anos em 2003. Mas a explicação não pode ser apenas técnica, pois, creio eu, existe um fator sociológico que não pode ser: o alto nível de esperança presente ma população brasileira.
Alguém já disse que nós não devemos tirar as esperanças de ninguém, pois pode ser que esta seja a única coisa que ela tenha. De fato, se buscamos viver, somente buscamos porque temos esperança que “as coisas podem melhorar”, sendo que tais “coisas” podem ser definidas como situação econômica, relacionamento conjugal, crise existencial, amor não correspondido, planos frustrados...


Há um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à Terra e, com ela, a origem de todas as tragédias humanas. Essa história chegou até nós por meio do poeta grego Hesíodo, que viveu uns setecentos anos antes de Jesus andar pela palestina. De acordo com o mito, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefão dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher. Antes de enviá-la à Terra, entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança.

Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa. Neste seu ato, Pandora, assim como sua outra companheira também posta na terra pelo Deus dos Hebreus (Eva), acabaram criando uma grande confusão por não obedecerem, ou melhor, por serem curiosas demais. Assim, a pequena Pandora abriu a caixinha proibida liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair.

Essa metáfora foi a maneira encontrada pelos gregos para representar, num enredo de fácil compreensão, conceitos relacionados à natureza feminina, como a beleza, a sensualidade e o poder de dissimulação e de destruição.

Esperança!

A esperança continua lá, presa na caixinha da Pandora, assim, ela permanece viva dentro do coração e mente de toda a humanidade: Esperança!
Amanhã será melhor.
A vida vai melhorar!
Pra frente é que se anda.
O que seria da humanidade não fosse a esperança? As invenções cessariam. Muitos inventos mecânicos, arquitetônicos, farmacológicos, etc. Existem somente em função da esperança. Quem inventa, inventou somente porque teve, antes do invento, a esperança que algo novo surgiria. A esperança move o coração dos inventores.

A poesia... Poesia é fruto também da esperança. Poetas são... Poetas! Poetas estão no mundo quase impenetrável que está num local de difícil acesso para pessoas normais. Este local fica exatamente entre a realidade em que vivem diariamente em seus corpos físicos que sentem frio, fome e medo e uma outra dimensão, perto do céu. Um local mítico, azul, vizinho da eternidade. E por estarem tão pertinho da eternidade, os poetas acreditam que há possibilidade de algo melhor que o hoje. Eles têm esperança. São movidos pela esperança. Esperança que suas penas, letras e versos os levem para mais perto deste paraíso existencial, ou que, ao menos, possam ajudar pessoas a saírem do mundo material para a dimensão deles, onde a vida fica mais azul.

É a esperança que faz com que milhões de pessoas acordem pela manhã e se dirijam para seus locais de trabalho, para um dia estafante, cansativo.

A Esperança é uma mola propulsora para o homem. Curiosamente, nos evangelhos não há nem um sequer relato de Jesus pronunciar a palavra “esperança”. Jesus não falava de esperança, mas ele falava de certeza. Ele não achava e não cria, mas ele, simplesmente, sabia. Em contrapartida, após os evangelhos, apalavra esperança é citada no Novo testamento dezenas de vezes.
Curiosamente Jesus não pregou sobre a esperança, pois esperança não é coisa de deus, mas coisa de homem. E, na verdade, como esperamos...


A esperança tem sido a mola mestra não apenas da humanidade no que diz respeito às suas questões práticas, mas de forma ainda mais contundente, a esperança tem sido a mola mestra dos místicos, especialmente do cristianismo, pois, para a subsistência do cristianismo, a esperança tem de ser a última a morrer...

CONTINUA SEMANA QUE VEM NA PRÓXIMA POSTAGEM


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